No Monte, perto da estação do teleférico, o proprietário e gerente da ODD Coffee, Gonçalo Gouveia, fez uma demonstração ao vivo de como torra o café para os seus cafés e para várias cafetarias no Funchal. Aprendeu o ofício fazendo cursos antes de comprar a sua primeira máquina de torrefação e, mais tarde, fez um upgrade para um modelo mais avançado, que arrefece os grãos numa câmara separada após a torra. Gonçalo obtém sobretudo grãos de Arábica do Quénia e da Etiópia, através da Alemanha, e não usa blends nem privilegia café do Vietname ou do Brasil. Explicou que o café de especialidade tem de atingir pelo menos 85 pontos em 100, ao contrário da económica “bica” vendida nos supermercados por menos de 1 €. Os grãos podem ser “naturais” ou “lavados”, e a sua densidade, humidade, exposição solar e teor de açúcar influenciam a forma como devem ser torrados. Um lote de até 12 kg demora cerca de meia hora após o pré-aquecimento, perde aproximadamente 13% do peso e tem depois de repousar durante vários dias antes de atingir uma janela ideal de consumo de cerca de 28–30 dias. O clima mais quente e húmido da Madeira está a tornar o cultivo de café mais viável, e o governo regional está a incentivar os agricultores a cultivar café, enquanto o Gonçalo está a desenvolver um projeto no Arco de São Jorge, na costa norte da Madeira. A ODD Coffee também mói cacau, faz o seu próprio gelado e vende café no Monte em embalagens de 250 g, enquanto o Gonçalo diz que o nome “BICA” terá o significado de “Beba Isto Com Açúcar” — “Drink this with sugar”.
